Pocket conto: Lagartos (sci-fi)

by 6/27/2011 0 comentários
Rubens não sossegou enquanto não foi visitar a tal ilha que estava a venda, foram meses planejando a viagem, outros meses conversando com o corretor, mais outros meses de pesquisas na internet. Quando finalmente o dia mais planejado chegou, de malas prontas, esperamos pelos convidados.

Beth e Afonso foram os primeiros a chegar, com um pouco de atraso chegaram Susan e Clóvis. Animados, entramos no jatinho sem desconfiar que nunca mais estaríamos de volta.

A ilha não ficava longe, apenas poucas horas de São Luis, esse foi um dos fatores que chamou a atenção do Rubens.

No jatinho, bebemos, comemos e entre uma piada e outra chegamos a ilha. 

O jato pouso perto da praia descarregamos as bagagens e o piloto seguiu viagem, ao ver o jato decolar, senti um frio na barriga, olhei para lado e fiquei feliz que Rubens aceitou meu conselho e trouxe o guia.

Tínhamos tempo até o escurecer, a primeira providência do guia foi procurar o melhor lugar para montarmos o acampamento. Caminhamos para perto de uma montanha, lá nos organizamos: as mulheres ficaram encarregadas da alimentação e os homens da montagem do camping. Tudo estava saindo melhor que o planejado, a ilha era linda, tinha uma atmosfera tranquila e acolhedora, um pequeno rio providenciava água limpa, não existia o perigo de grandes animais, nossos únicos companheiros eram os pequenos lagartos de cabeça verde e rabo azul, estes no seguiam para todos os cantos.

Ao anoitecer, depois de um longo dia de caminhada, o cansaço tomou conta do grupo. Rubens estava em estado de êxtase, assim que pisou na ilha, decidiu que a compraria, só permanecemos devido sua ânsia pela exploração. Logo após o jantar, sentamos a volta da fogueira, regados a muito vinho, a conversa se estendeu noite a fora. 

Cansada e com o corpo dolorido, fui deitar. Ao tocar o travesseiro, um calafrio subiu pelas minhas veias, em um susto levantei, olhei para lado, Rubens já estava no quinto sono. Voltei a deitar e lá estava ele, o calafrio, voltei a levantar e fui tomar um ar, abri a barraca e o que vi, acelerou meu coração ao ponto de acordar Rubens.

- Lize, o que foi meu amor? Você está bem?
- Rubens, temos que sair dessa ilha.
- Mas acabamos de chegar.
- Rubens, eu vi...
- Viu o que?
- Eu vi...
- Lize, venha deitar, amanhã você me conta o que viu.
Não consegui dizer uma só palavra, o que havia visto era por demais surreal. Tentei dormir, mas as sombras iluminavam de forma aterrorizante a barraca. Nos primeiros raios de sol corri e acordei todo mundo.

Antes mesmo do café da manhã, contei tudo o que vi e é claro que ninguém acreditou também quem acreditaria que aqueles pequenos lagartos, durante a noite se transformavam em gigantes, virados de ponta cabeça, suas caudas azuis eram na verdade suas cabeças, como cobras, sem ouvidos, sem narizes...seus olhos brancos eram os portais dos sentidos; Suas cabeças verdes eram na verdade suas únicas pernas, compridas e grossas chegavam à altura de três metros; Suas supostas pernas eram braços também longos e grossos, quem acreditaria que eu havia visto tal criatura? 

Como que em um coro, todos riram, todos se divertiram ninguém se preocupou ninguém acreditou. O dia começou, Rubens e o grupo foram explorar a ilha, eu fiquei no acampamento, precisava buscar por respostas, de onde vieram tais criaturas? O que procuravam? O que faziam na ilha? 

Logo depois que todos seguiram em expedição, eu comecei a seguir um dos pequenos lagartos. Atravessando a ilha, o pequeno lagarto chegou a um buraco no chão e pulou. Destemida pulei atrás, e cai em queda livre até atingir o chão, o melhor até atingir a falta de gravidade. A ausência de peso causava uma sensação incrível, flutuar parecia melhor que voar. Voltei para realidade quando olhei para lado e percebi que ali haviam paredes de ferro bem fino, quase transparente que cercavam o buraco, a escuridão transformava os lagartos em criaturas, todos estavam a minha volta. 

Naquele momento descobri que a ilha era na verdade um alçapão, as criaturas não eram terráqueanas, seu objetivo era capturar e embalsamar seres da terra, voltar a seu planeta, reproduzir nosso DNA misturado com o deles e nos trazer de volta á terra.

Naquele dia todos morremos, hoje sou metade humana metade Iuhy, ainda não sei qual é minha missão.



SS Martinelli

S²FM

Pela janela olhei, tulipas não encontrei. Pensei, Filosofei, Bloguei.