O Punhal, o Grão e a Bailarina - Sweek

by 12/27/2017 0 comentários

O Destino rei 

Era noite, não como uma, das mil e uma, mas Sherazade, a bailarina, contava sua história enquanto sua alma movia seu corpo ao som do qanun. Tendo o luar como exclusiva companhia, o momento era como pausado no tempo, até que absorvida, não percebeu o quanto seguia e depois de um longo e perfeito deslocamento, seus pés tocaram algo mais permanente, ela cessou os movimentos.

Largado no meio do descampado o punhal jurou que seu antigo companheiro era agora defunto, ele não imaginava que na verdade havia sido esquecido. Tristonho, sentindo-se solitário foi o toque dos pés daquela que bailava que recuperou seu luzente, e o punhal voltou para a companhia da cintura.

Logo depois de topar com o imponente punhal, a bailarina não teve outra escolha senão trazê-lo consigo, afinal ele era por demais elegante para permanecer entre os desmazelados. E assim, com ele enlaçado em sua cintura, continuou a reverenciar o luar.

O grão de café assim que caiu do saco de estopa sabia, tal ação era presente do destino, a felicidade não escondeu a gratidão, mesmo sabendo que algo em troca estava por vir. 
Quando Sherazade pisou no púrpuro grão, foi transformada na mais bela monarca, borboleta.

Conto publicado no Sweek, clique aqui e leia tb por lá ;)

SS Martinelli

S²FM

Pela janela olhei, tulipas não encontrei. Pensei, Filosofei, Bloguei.