A perda de si

by 3/26/2018 0 comentários
A ausência da sua voz
fere como picadas de abelhas sobre meus ouvidos.

Sou alma vazia, condenada a angústia eterna.

Vêm os dias e a cada dia,
o despertar carece do choque de bombinhas.

Como suportar a luz,
se nela não mais assisto sua sombra?

Minha garganta vive afogada em águas salgadas.

Peço força divina,
o tempo ao meu lado insiste em permanecer parado.

É tão tangível essa dor que preciso de algo mais pesado que milhões de toneladas.

Não consigo fechar os olhos,
a tecla replay está grudada em minhas pálpebras.

E senão bastasse,
o que entra em minhas narinas não é mais ar e sim pesar.

"E se"...  é somente isso que reflete a mente.

Já não tenho mais fala,
as palavras perderam vontade.

E o que restou paralisou a pulsação.
Sem ação, desfaleço ao contagioso chão.




SS Martinelli

S²FM

Pela janela olhei, tulipas não encontrei. Pensei, Filosofei, Bloguei.