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Vou te contar um mito que no começo, parecerá bonito e no final, esquisito.

Das profundezas do oceano, nasceu uma alga que diferente das outras algas, esta falava a língua dos peixes.

Desde pequena, conversava com todas as criaturas do mar; Oi como está? Suas nadadeiras estão aceleradas. Há tubarões rondando a superfície. Nade em outro sentido que encontrará alimento. 

Quando cresceu resolveu intermediar os conflitos entre as espécies e durante um bom período, obteve sucesso, deixando assim o submerso cada vez mais equilibrado.  

Porém, em uma noite ausente de lua, enquanto as águas sofriam uma convulsão, os peixes ficavam sem ar. 

Todas as algas foram chamadas para mediar a situação, exercendo sua função em mutirão.

A alga faladora, se alinhou com suas irmãs e em conjunto, começaram a dançar. 

Aos poucos o caos foi se dissipando.

Quando tudo voltou ao normal, a alga faladora havia desaparecido, não só fisicamente, como da mente de todas as espécies.


Cansada de conversar somente com as águas que lavam suas louças, durante o jantar ela se pronunciou:

- Você pensa que sabe tudo, mas quando vejo o seu futuro... nada além de um grande furo.


Depois de tanta discussão, ele chegou a conclusão:

 - Um homem cego é capaz de seguir um gato, enquanto um homem comum, mal consegue escolher um bom sapato.


Postagem original - @contoemvanconsciencia
Quando acabou de lavar a louça, decidiu que daquela vez tomaria o expresso sentada na varanda. 
Devaneando entre as tarefas que tinha que fazer e a vontade de ficar ali muito depois do café acabar, escutou a conversa da vizinha: - Você roubou mesmo o perfume dele? 
- Roubei amiga, ele tinha uma coleção, tava esbanjando....
A naturalidade na fala das duas, por mais um dia, justo esse dia, reafirmou sua  escolha de permanecer enclausurada.


Quando olhou no espelho, descobriu o motivo por nada mais fazer sentido, seus olhos haviam sido trocados.

Chovia e o céu me dizia: - é melhor roupa molhada do que furada.
Parada, feito espantalho
o máximo que conseguia
era a companhia
do desditoso corvo.
Um dia resolveu que corria
suas pernas pouco sabiam que isso existia
Ela então caiu espalhando palhas pelo chão
Abatida, tentou levantar,
mais seus trapos desintegraram
Sem roupa, sem corpo sua alma ficou exposta.
- FINALMENTE, gritou o Corvo e concluiu: - AGORA TE LEVO DAQUI!







Ela acordou com uma estranha dor no rosto
Seu olhar, não era mais castanho, era redondo
Domado estava por uma estranha consistência.
Ela sabia, estava perdida entregue como estátua.



Nas primeiras horas daquela manhã, o som das suas palavras soava como guitarra molhada.

Todo final de tarde, ela sentava perto da velha persiana e mesmo sem removê-la do caminho, admirava a paisagem. Foi assim por muitas floradas. Até que em um dia comum, daquele que tudo parece estar em reprise, uma forte ventania sujeitou a abertura da janela e da parede mofada desenraizou a persiana amarelada. Naquele mesmo final de tarde, a paisagem, feroz, invadiu a morada daquela que nunca soube apreciá-la e dela despiu com rigidez a cortina da epiderme. O que sobrou, de tão amedrontada perdeu-se pelo ar. 


Ele não veio com a cabeça feita
suas linhas estavam pontilhadas
na espera da meada nada perfeita
e de suas melhores gargalhadas.

O Destino rei 

Era noite, não como uma, das mil e uma, mas Sherazade, a bailarina, contava sua história enquanto sua alma movia seu corpo ao som do qanun. Tendo o luar como exclusiva companhia, o momento era como pausado no tempo, até que absorvida, não percebeu o quanto seguia e depois de um longo e perfeito deslocamento, seus pés tocaram algo mais permanente, ela cessou os movimentos.

Largado no meio do descampado o punhal jurou que seu antigo companheiro era agora defunto, ele não imaginava que na verdade havia sido esquecido. Tristonho, sentindo-se solitário foi o toque dos pés daquela que bailava que recuperou seu luzente, e o punhal voltou para a companhia da cintura.

Logo depois de topar com o imponente punhal, a bailarina não teve outra escolha senão trazê-lo consigo, afinal ele era por demais elegante para permanecer entre os desmazelados. E assim, com ele enlaçado em sua cintura, continuou a reverenciar o luar.

O grão de café assim que caiu do saco de estopa sabia, tal ação era presente do destino, a felicidade não escondeu a gratidão, mesmo sabendo que algo em troca estava por vir. 
Quando Sherazade pisou no púrpuro grão, foi transformada na mais bela monarca, borboleta.

Conto publicado no Sweek, clique aqui e leia tb por lá ;)

Tudo no universo começa com três, não sei dizer o porquê, talvez seja culpa do dúbio, ou quem sabe do paralelo, afinal nada é mais pretensioso do que duas coisas que não se tocam, como a lavanda e o café, a suavidade e o entusiasmo. Se por acaso existissem somente os dois, ela e ele nunca viveriam esse conto de amor.

Todas as manhãs, ela despertava macia, quase tão lenta quanto a pena surfando na brisa, a calmaria exalava por entre sua delicada beleza lilás. Ela passava pelas horas feliz, no entanto, nada sabia sobre o êxtase.

Já para ele, as manhãs eram como as migrações dos gnus, agitadas, animadas, perigosas. Sempre foi concretizador, mas nunca conseguiu experimentar a tão famosa serenidade.

A vida seguiria assim, um em cada ponta do viver, por sorte, ou melhor por mando do grande universo, depois de uma longa noite de calor intenso, o amanhecer recebeu a incomum visita do decidido vento e este arrastou consigo uma pequena porção lilás apenas para entregá-la ao sumo negro postado entre a circular terracota. A infusão de um com o outro provocou tamanho equilíbrio que sua força sucumbi a dualidade, ela e ele aprumaram a trindade e o novo ser aflorou, se apaixonou.

Conto publicado no Sweek, clique aqui e leia tb por lá ;)

Um galho
      como braço te abraço 

 E suas folhas     
não anseiam mais desvendar terra outra 

 Somos presos no infinito perfeito    
aquele que conhece o agora 

 Sentimos tudo  e enquanto    
   tardar o frutificar     
  viveremos entre o prelúdio e o fastígio.


Para quem não quisesse ouvir ela disse: - Eu era generosa, mas uns arrancaram meus cabelos, e outros dilaceraram meus sapatos.
A chuva cantava para a janela. Enquanto ela, encantada ouvia, adormeceu sombria massacrada pela suave brisa. 

Conivente, como sempre, ela despertava com o suposto no rosto. Um dia de sol ausente, foi substituída por outra correspondente.


Era noite. Ela voltou-se para mim e com o olhar perfurante indagou:  - Doçuras ou travessuras?



Pelo som da subsistência, ela acordou moderada ... E logo, sua alma ficou como gemada...



A beira mar ela sentou. Enquanto observava o vai e vem das águas salgadas, foi absorvida pela quietude da mesmice e repentinamente o padecimento apoderou-se do seu coração. Agora, o Ponderado lhe disse: - Sua salvação acha-se no fogo.