- Somos sempre os mesmos, e de vez em quando, tentamos o diferente. 
Deixei o sol entrar.
Há tempos que havia dele, esquecido.
Como é querido quando tudo mais perde o sentido.
Foi sua fortaleza que despertou meu auto amor.

Você
Pode mudar tudo ou não mudar nada
Pode regar ou deixar secar
Pode olhar ou ignorar
Pode amar ou odiar
Pode ser você ou agradar alguém 



Em um final de tarde moribundo, o Mestre advertiu:
- Flor que não desabrocha, não recebe beija flor. 

Já pegou uma pétala na mão?
Quanto tempo depois ela morre em vão?


Hoje não choveu
nada aborreceu
e ainda assim
parte de mim
pereceu.

Nas primeiras horas daquela manhã, o som das suas palavras soava como guitarra molhada.

O amor vem como ninguém
Assobiando canções
cessando sansões
Desnudando o espírito
Obstruindo o egoísmo
Isso
quando verídico
O amor vem como ninguém


Começou com um sorriso torto
Um olhar perdido
E rosto sem saber direito, desconcerto
A boca úmida afogava as palavras
No peito a aceleração fazia questão de ser notada
e de todo o resto o fôlego arrancava

Pífia
Sem carisma
Uma uva sem fruta
A vida na ponta da concha
prestes a ser surripiada feito pérola prateada

Desabei
Chorei
Acordei.


Todo final de tarde, ela sentava perto da velha persiana e mesmo sem removê-la do caminho, admirava a paisagem. Foi assim por muitas floradas. Até que em um dia comum, daquele que tudo parece estar em reprise, uma forte ventania sujeitou a abertura da janela e da parede mofada desenraizou a persiana amarelada. Naquele mesmo final de tarde, a paisagem, feroz, invadiu a morada daquela que nunca soube apreciá-la e dela despiu com rigidez a cortina da epiderme. O que sobrou, de tão amedrontada perdeu-se pelo ar. 


Quando deixamos as palavras presas, o mundo esquece que somos humanos.
Ele não veio com a cabeça feita
suas linhas estavam pontilhadas
na espera da meada nada perfeita
e de suas melhores gargalhadas.
Somos terra.
Farturas.
Em nosso mundo,
geram árvores, ervas e flores
até que uma fagulha derruba a euforia.
Somos queimas.
Estiadas.
Em nosso mundo,
um eterno decurso. 

Na beira da sórdida esquina
é possível sentir o mormaço
enquanto a alma frita
a mulher peleja.

Por um segundo, feche os olhos e preencha o coração com a sutileza do despertar uma flor.
Assim, como roupa furada fica simples trocar uma família por uma nova parentada.


Em seus olhos,
a agressividade vazia como se transformação da noite para o dia fosse sem vida

E eu, 
entrego-me ao teu buraco negro, onde todas coisas são julgadas e por fim sou sugada

A grande aventura seria 
ignorar seu olhar e focar naquilo que fisiologicamente compartilhamos sem distinção, 

coração.