Somos terra.
Farturas.
Em nosso mundo,
geram árvores, ervas e flores
até que uma fagulha derruba a euforia.
Somos queimas.
Estiadas.
Em nosso mundo,
um eterno decurso. 

Na beira da sórdida esquina
é possível sentir o mormaço
enquanto a alma frita
o homem peleja.

Por um segundo, feche os olhos e preencha o coração com a sutileza do despertar uma flor.
Assim, como roupa furada,
fica simples trocar uma família
                         por uma nova parentada.



Em seus olhos,
a agressividade vazia como se transformação da noite para o dia fosse sem vida

E eu, 
entrego-me ao teu buraco negro, onde todas coisas são julgadas e por fim sou sugada

A grande aventura seria 
ignorar seu olhar e focar naquilo que fisiologicamente compartilhamos sem distinção, 

coração.
                                                                                                                               

Nos dias
buracos preenchidos
com raízes de
Drosera Rotundifolia
São devorados
enquanto o homem
permanece apavorado.



No vento
navego
entrego
minha semente
até encontrar na sua mente
terra fecundante.
Quando dizem que faltará algo

esse algo

como que de repente

se torna quase sagrado

e sua busca

mesmo que desnecessária

entrega-se ao obrigatória.



O mundo não abre portas. Apenas pequenas brechas, quando você sua vidraça não fecha.
Se o Amor é a resposta, mozão, eu sou a sua pergunta!
Um belo dia resolvi mudar já dizia Rita Lee
Mas eu, atenção não prestei
pouco sabia sobre mudar, é aventurar-se no eu incomum
buracos, socos e pontapés, quedas sem fim
tudo disfarçado de destino
a única sabedoria era a ausência de uma urna
para colocar o voto
se nasço ou permaneço no infinito
Que bonito
agora o ar que respiro
não é mais o seu, meu amigo
vou seguir minha própria utopia:
  • Onde não há amor, não há dor
  • Onde não há palavras, não há entendimentos
  • Onde não há iluminação, não há evolução
  • Onde não há consideração, não há obrigação




No rosto da minha avó, não estavam presentes somente marcas do tempo, não, o rosto da minha avó era preenchido de sofrimento. Como se no mundo não existisse o verde e o florido, e sim a predominância da cor de terra queimada.

Nos almoços de família, sua única preocupação eram as comidas no fogão, a batata assada de sabor inestimável arrancava elogios, e o seu sorriso mantinha-se preso nas falas padecedoras de sua rotina quase sempre desafortunada. Os abraços e beijos calorosos que recebia de seus ouvintes, pareciam estar na china enquanto ela em sua casa.

Passei a infância tentando decifrar que grito ecoava do seu coração, pois que percebi, não poderia seguir sonhando em ser a versão feminino do inspetor Jacques Clouseau, não era boa detetive. Quando fui ganhado idade, entrei no sistema, e a doce velhinha vitimada era eternamente cuidada. 

Muitos anos depois, fui caçada pelo destino e minha vida tornou-se um arrastar de correntes. Pouco sabia sobre a grande força invicta que paira no ventre feminino, meus dias eram acobertados constantemente pela mesma nuvem escura, por nada, natural ou sobrenatural aquele cenário se desconfiguraria. Estava perdida. A tentação de pular no rio das lamentações, já tanto velejado pelas mulheres da minha família, dominou minhas ações e então, em um aglomerado de madeiras ancestrais coloquei-me nas águas pantanosas. 

A angústia tornou-se minha melhor amiga e como mártires, juntas mendigamos ajuda. Tinha entrado no sistema, que doloroso sistema. O papel de vítima assumiu minhas células como câncer, em alguns meses,estava em quimioterapia.

O tratamento exigiu a mesma coragem de uma inexperiente saltadora ornamental de penhasco, saltos horríveis, pavorosos, quedas que machucavam além da alma, e com o tempo o acessível psiquiatra foi capaz de inspirar meu subconsciente e dele surgiu a tela borrada que apontava o caminho. Havia criado a corrente com elos duplicados, não por mim e sim por padrões, padrões enrugados, secos, assombrados pelo mito vulgar da adequação da mulher.

Por pura sorte, derrotei os inimigos internos que causavam tamanha dissociação, estava livre do auto abuso. Risonha, caminhava para o novo dia, no momento em que começava a chover, lembrei da minha avó. Seus motivos para permanecer no sistema, não eram claros, mas aceitei suas razões, na verdade, descobri, o problema era a sua geração.

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A ausência da sua voz
fere como picadas de abelhas sobre meus ouvidos.

Sou alma vazia, condenada a angústia eterna.

Vêm os dias e a cada dia,
o despertar carece do choque de bombinhas.

Como suportar a luz,
se nela não mais assisto sua sombra?

Minha garganta vive afogada em águas salgadas.

Peço força divina,
o tempo ao meu lado insiste em permanecer parado.

É tão tangível essa dor que preciso de algo mais pesado que milhões de toneladas.

Não consigo fechar os olhos,
a tecla replay está grudada em minhas pálpebras.

E senão bastasse,
o que entra em minhas narinas não é mais ar e sim pesar.

"E se"...  é somente isso que reflete a mente.

Já não tenho mais fala,
as palavras perderam vontade.

E o que restou paralisou a pulsação.
Sem ação, desfaleço ao contagioso chão.




Á quem não ama, restará a escassa compaixão humana.
Hoje me dei conta, quanto mais faço conta, mais sofro por conta.
O falso amor é aquele que perfeito a ti aparece.


O mundo não é dos justos,
porque o mundo é injusto,
então de quem é esse mundo?
Esse mundo é dos sortudos! 😇