Tenha medo, o Tempo passa.
                     Nas montanhas de ferro
onde pássaros não encontram galhos
               onde flores buscam amores
                    e a lua brilha e tumultua
                                        Um respiro
                                 é tão suave que
                plana ao longo das nuvens.


Qual glória é concebida ao Pai quando o Filho nutri o Espírito diluído?



Oprimidos não são as vozes.
Oprimidos são os estômagos.


Não era mais que meio dia quando ele finalmente aceitou que nada faria.
- Você conhece aquela fórmula que faz tanto emagrecer como livro vender? Que também, mesmo sem atributo, faz qualquer um aparecer? E daquela que formula o ser, você conhece?  
Você então sabe o que é emburrecer.



Bela ela é
          a graça de ser
                  quem você é.

Vamos acomodar os braços,
Cada um em seu carro
Cooperando com descaso
E depois
Continuar a lamuriar
Pelas ruas sem lacunas.



O Mestre então, para aqueles que não abrem mão das mazelas, requisitou:

- Não vamos alertar o espírito que a mente está doente.


A todo momento

ele suplicava por ela,

ela ansiava por ele.

E ainda assim

Nenhum,

nenhum outro,

movia sequer um músculo.




Um dia,
  quando nada mais mudou,
      ela se perdeu dentro da própria casa.


O dia mais melancólico da semana
estava perto do fim.
Se caso tivesse saído dela,
já era quase hora de voltar para cama.
Coragem,
diriam aquelas pessoas
que nunca de fato entenderam o significado de domingo:
Domingo é a recapitulação mefistofélica de tudo não conquistado.
Ele não era exemplo de sabedoria, não era exemplo para quase nada, e ainda assim, se fez presente revelando o penhasco escondido atrás do fascínio quando, na hora próxima ao absoluto silêncio afirmou: “- O egoísta não vivi entre nós, ele faz de nós mais um entre ele”. 

O jovem de cabelos cor de sombra, pele macia, corpo esbelto sempre cheiroso, permeava pelas ruas chamando atenção de quem o mesmo belo admirava. Era despercebido que metade de seu olhar era para si mesmo. Mulheres bonitas cativavam sua atenção, desde que reconhecida era a veneração. Concurso destinado a poucas, o cobrador de ônibus, estava para ver em seu troco moeda de três reais se sua linha percorresse vazia de sorrisos e olhares chamegados.

Ilda, no ápice dos seus 16 anos sabia muito bem que da Venda da família até a sua casa, eram singelos cinco minutos de lenta caminhada, entretanto todo o dia esperava pelo 132/bairro sem dividir ansiedade com distinta causa. No dia almejado, embora ciente das jogatinas galanteadoras do estimado, decidiu permanecer no ônibus até o fim do percurso, não existia em seu coração outra coisa da mesma importância. Dedicada a receber atenção, ela piscava, suavemente arrumava os cabelos do lado esquerdo do rosto rosado, trançava as pernas ajustando com apenas dois dedos a altura da saia. 

O encantador admirava, não contemplava afinal, haviam outras ainda mais caprichadas para percorrer sua linha. Nada obstante, isso para ela já não era o bastante? Ao final do ponto, envoltos pelo crepúsculo, o jovem de nome Antoni, a fim de afagar ainda mais seu já avolumado ego, convidou a angelical e insistente menina da Venda para um passeio. Com monólogos sobre como ele era belo, eles caminharam pela praça, tomaram gelado de morango, sentaram perto do Ipê Amarelo. O passeio, arrebatador para ela, rotineiro para ele terminou comum, com o beijo descomplicado junto ao portão dos pais dela. Ilda, antes mesmo de passar a chave suspirava. Antoni, pouco dali, pasmo também suspirava, o esperado tornou-se a resposta para ser eternamente amado e ainda assim nunca exaurir a sede por procurar o amor. 

No curto tempo de apenas alguns meses, o casamento no papel estava rubricado. 

Ilda era bonita, ingênua, de família conceituada, totalmente devota a ele, um troféu para sempre na parede. Antoni era lindo, encantadoramente malicioso, de família trabalhadora, totalmente abençoada era, para ela uma conquista para sempre venerada. Tudo acertado com o senhor do destino, homem, mulher regando juntos as sementes cotidianas da vida. Outra vez um romance acertado. Não é disso que se faz a paz? Paz, a já não tão jovem Ilda não poderia estar mais distante de tal palavra, obcecada pelo marido incorporou a contradição, abandonou o honroso trabalho na Venda da família por horas empregadas na caçada das acariciadoras de ego do seu venerado, e no intervim, não aceitou tomar qualquer passo que não fosse abençoado pelo amado. 

A vida se fez assim, ele traindo, ela perseguindo, ainda que na bodas de Papel nasceram Tom e Cora, na bodas de algodão pouca alteração. Na bodas de lã, por nada além de bons cuidados morria Tom, na bodas de renda com mudança escassa de atitude chegava a vez de Cora. Na bodas de prata melancolia e a conduta perdurava, almoços, cafés da manha, jantares, a mesa de madeira puída, coberta pela toalha plastificada, recheada de comida e faltosa de todo tipo de satisfação. O provedor inglório, além de sua própria personalidade era desinteressado; A mãe de inanimados, vitimada, sugava a si mesma, o vácuo, nada animava o distinto, prantos, abraços que para ela pareciam desmantelados, toques impenetráveis, seu desejo era único, a atenção de quem tanto ela venerava. Na bodas de ouro, em companhia de outro evento da vida, ele que não era exemplo de sabedoria, não era exemplo para quase nada, escancarou, para o derradeiro da família, a grande egoísta. 


Vem,
Me socorre,
Tô perdida em ti.