Quando aproveito o tempo para pintar labirinto, esqueço de procurar o caminho e aí, encontro o caminho.
Dou-te uma flor
Que seu perfume ocupe o nariz
Que seus cravos sejam tão
           e somente para resguardo
Que seu adiante seja, a todo instante feliz!

Naquela noite
Enquanto chovia
Ela escrevia

Sem conjugações
Sem palavras certas
Sem convicções

Ela buscava
Alcançar plenitude
Mas sempre que a ideia surgia
A luz se apagava

E nesse mar
De areia
O vento esvoaçava
Pensamento.


Como entender uma raiva
Que mesmo sem asa, paira?


Todo dia tem louça na pia.

Vem Amor, o dia já clareou.

No Mar sobra Lugar!
- Que todo amor seja um eterno namoro!

A beira mar ela sentou. Enquanto observava o vai e vem das águas salgadas, foi absorvida pela quietude da mesmice e repentinamente o padecimento apoderou-se do seu coração. Agora, o Ponderado lhe disse: - Sua salvação acha-se no fogo.


O AMOR é o único que multiplica UM por INFINITO! 

- Amarre a alma
Numa pedra
fria e concreta!


Poder, é todos os dias salvar-se de si mesmo.
Com a conta negativa no banco, toda noite ela tinha pesadelo. 

O primeiro foi assim. Animada por receber um convite para assistir uma aula de dança flamenca, ela carregou a bolsa com a saia rodada e o sapato de sapateado e foi de encontro a escola. Assim que pronta, postou perante a professora. Esta deu inicio a aula com movimentos que não eram para iniciantes. Perdida a animada, viu-se de escanteio. Como um passe de mágica a sala de aula transformou-se em palco e as alunas, em perfeitas bailarinas. Ela, ainda encostada no canto recebeu a companhia de outra bailarina que com cara de abusada puxou a ofensa. 
 - Esse seu sapato é horrível, quem te vendeu te enganou, as verdadeiras bailarinas usam este aqui ó, - e ela apontou para o seu próprio sapato.

O segundo foi assim. Depois da terceira guerra mundial, ela morava em Dubai. Em uma tarde foi visitar um bairro afastado de sua morada e lá se deparou com tamanho sofrimento ao ver os refugiados da Coreia que decidiu ajudar adotando um casal de crianças. No caminho de volta para casa, foi abordada por dois milicianos ignorantes que com palavras atacaram sua atitude e a obrigaram a devolver os adotados. Contrariada ela acelerou o carro que em dispara foi de encontro ao muro. Na batida ela desmaiou, as crianças com a porta de trás estraçalhada fugiram para bem longe da estrada. 

E o último apesar de curto e pouco simbólico, foi o que a despertou do torpor, não eram sonhos. Em seu celular ela recebeu o seguinte torpedo: Atenção, por uso indevido do seu cartão, além da conta está bloqueada será cobrada taxa imoderada a cada novo mês.