O clube das Monroes

by 10/30/2013 0 comentários
A estranha mulher da padaria todo dia cometia a mesma patifaria, furava a fila só para comer uma única esfiha.

Nelson não era do bairro, aquela seria sua primeira vez na padaria. Ele chegou acreditando na normalidade da localidade e se deparou com o clube das Monroes.

Ninguém era o que era, plástica, falta de autoestima, roupas de marcas que custavam os olhos da cara. Bonecas montadas pelo sádico desejo de serem objetos de desejo. Esse doentio desejo de ser vitrine provocava arrepio.

O desavisado sentou no balcão e pediu café e pão. A loira magrela já estava na sua quinta mazela quando fingiu tropeço só para derrubar café na camisa do boa fé. Rindo, ela ainda tirou sarro do balconista e na saída roubou uma revista. Do outro lado da padaria uma senhora sem rugas e com problemas de expressão, exigia do atendente total atenção.

No outro canto, a criança parecendo ausente de esperança, esperneava pedindo chocolate enquanto a mãe sussurrava:

 - Obesidade. Até mesmo a garçonete para manter a proporção comia sabonete. 


Quando Nelson se deu conta o que estava a sua volta, pensou consigo mesmo:
- Toda essa vaidade só para agradar a sociedade. Em que momento passamos a ser esse lamento?

SS Martinelli

S²FM

Pela janela olhei, tulipas não encontrei. Pensei, Filosofei, Bloguei.