O Vírus

by 6/08/2012 0 comentários
Não era um dia nem nublado
Nem ensolarado.
Também não chovia 
E ninguém sentia
Os raios do sol. 
Era um dia estranho. 
Refi não titubeou quando Segi o convidou para o assalto.

Segi selecionou a vítima com requintes de headhunter. 
A jovem senhora morava sozinha 
Tinha dinheiro E não tinha porteiro. 

Naquele estranho dia, 
Os ladrões chegaram ao local do crime antes da sete da manhã.
Abriram a porta com tamanha facilidade que por segundos desconfiaram se a jovem senhora teria mesmo algo de valor no apartamento.

Segi, beirando as paredes, percorreu quase todo o apartamento a procura da vítima, foi Refi que avisou que a senhora estava no banho.

- Vamos logo, as joias estão no quarto.

Os dois correram nas pontas dos pés feito desenho animado. Chegaram ao quarto sem qualquer problema.


- Meus Deus, estou rico. Disse o deslumbrado Segi. 

Refi permaneceu calado. Colocou as joias no bolso e seguiu pelo corredor. Assim que passou pela porta do banheiro, Escutou a jovem senhora cantar:

-...Ainda vai levar um tempo.... para curar o que feriu por dentro... Natural que seja assim....

Feito filme, ele lembrou de sua mãe. (Dona Cevi logo após ser abandonada pelo marido não conseguia cantar outra coisa. Por tempos o pequeno Refi além de sentir a falta do pai, sentia a dor da mãe.)

- Segi, não posso fazer isso. Disse ele tirando tudo do bolso.

- Vai amarelar agora é?

- Não estou amarelando... Fui tomado por uma repentina compaixão.

Tal atitude deixou Segi ressabiado. Pensativo, ele abandonou o saco com as joias e o dinheiro perto da porta de entrada dizendo baixinho : - Repentina compaixão? Quem garante que isso não seja um vírus? Não roubo um palito de dente desta residência!



SS Martinelli

S²FM

Pela janela olhei, tulipas não encontrei. Pensei, Filosofei, Bloguei.